domingo, 24 de junho de 2012

Retrato em Branco e Preto


Já conheço os passos dessa estrada

Sei que não vai dar em nada

Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali, sozinho,
Eu vou ficar ,tanto pior
O que é que eu faço contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto, evito tanto
E no entanto volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retratos eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que eu cansei de conhecer
Nossos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara, ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isto é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração


Chico Buarque 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Gonzaguinha – Diga Lá, Coração


...

Diga lá, meu coração
Conte as estórias das pessoas,
Nas estradas dessa vida.
Chore esta saudade estrangulada
Fale, sem você não há mais nada
Olhe bem nos olhos da morena e veja lá no fundo
A luz daquela primavera.

Durma qual criança no seu colo
Sinta o cheiro forte do teu solo
Passe a mão nos seus cabelos negros
Diga um verso bem bonito e de novo vá embora


xxx

Diga lá, meu coração
Que ela está dentro em peito e bem guardada
E que é preciso
Mais que nunca
Prosseguir,
Prosseguir.

xxx


Espere por mim, morena
Espere que eu chego já
O amor por você...

(Gonzaguinha – Diga Lá, Coração)

domingo, 4 de setembro de 2011

Preciso dizer que eu te amo


Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras Tanta coisa em comum Deixando escapar segredos

E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado Você me chora dores de outro amor Se abre e acaba comigo E nessa novela eu não quero Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano É, eu preciso dizer que eu te amo tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sonoLembrando em cada riso teu

Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano Eu preciso dizer que eu te amo tanto



Cazuza

terça-feira, 5 de julho de 2011


Qual é o fio que nos une e nos separa?
Só por você eu dei até o que eu não tive. Há tantos que vivem sem viver um grande amor Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre
Me prenda em seus braços É o que eu te peço



Ana Carolina - Um edifício no meio do mundo(trechos)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Canteiros

Quando penso em você

Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade

Correm os meus dedos longos

Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

Pode ser até manhãSendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria

Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesaPra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração



Composição : Fagner / sobre poema de Cecília Meireles

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fanatismo


Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
pois que tu és já toda minha vida
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história, tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina, fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como um deus: princípio e fim!...

Eu já te falei de tudo, mas tudo isso é pouco,
diante do que sinto.



Letra: Florbela Espanca, Música meu conterrâneo Fagner

domingo, 15 de maio de 2011


A depender de mim os psicanalistas estão fritos.
Eu mesmo é que resolvo os meus conflitos com aspirina,
amor ou com cachaça.
Os gritos todos virarão fumaça.
A dor é coisa que dói e que passa.

[ Zeca Baleiro]